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5.29.2007

Moçâmedes , Namibe: vista do mar e das Pontas do Giraul e Pau do Sul...

 





NAMIBE

Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.

E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola 1968

Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo






NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002






  Magia do deserto...

sob um céu nu
de nuvens despido
a tons d'azul e dourado...
no fio do horizonte
há terra à vista...
em extensas miragens
rasga-se o verde repassado...

gazelas saltitando
avestruzes se bamboleando
vivendo... estão
vivendo... vão

dando tempo ao tempo...
recortando o céu
espinheiras bravias
afagadas de vento...

em boa vizinhança
seculares welwitchias
são tempo d'um tempo
em mote à perseverança...

e... ei-las a céu aberto
suas vaidades desfilando
exibindo-se ao mar sereno...
donas são... do deserto!!!

expositiva alegoria
nuances de saudade...
no deserto a magia
de tempo inacabado!!!

de:aileda/adeliavaz
In Mazungue

 

5.28.2007

Moçâmedes, Namibe: Rua da Fábrica e Rua Governador Mata (Parque Infantil)

Parque Infantil. Foto tirada antes da independência de Angola







A MULEMBA SECOU


No barro da rua,
Pisadas
Por toda a gente,
Ficaram as folhas
Secas, amareladas
A estalar sob os pés de quem passava.
Depois o vento as levou...


Como as folhas da mulemba
Foram-se os sonhos gaiatos
Dos miúdos do meu bairro.


(De dia,
Espalhavam visgo nos ramos
E apanhavam catituis,
Viúvas, siripipis
Que o Chiquito da Mulemba
Ia vender no Palácio
Numa gaiola de bimba.


De noite,
Faziam roda, sentados,
A ouvir,
De olhos esbugalhados
A velha Jaja a contar
Histórias de arrepiar
Do feiticeiro Catimba.)


Mas a mulemba secou
E com ela,
Secou também a alegria
Da miudagem do bairro:

O Macuto da Ximinha
Que cantava todo o dia
Já não canta.
O Zé Camilo, coitado,
Passa o dia deitado
A pensar em muitas coisas.
E o velhote Camalundo,
Quando passa por ali,
Já ninguém o arrelia,
Já mais ninguém lhe assobia,
Já faz a vida em sossego.

Como o meu bairro mudou,
Como o meu bairro está triste
Porque a mulemba secou...

Só o velho Camalundo
Sorri ao passar por lá!...


Aires de Almeida Santos
(Meu Amor da Rua Onze)








































 HINO AO COLÉGIO DE MOÇÂMEDES

Meu colégio tão querido
Meu vergel de pomos de oiro
Meu canteiro preferido
Meu trigal ainda não loiro.

Somos as flores mimosas
Do jardim no areal
Só tu nos guardas viçosas
Do leste sopro do mal.

À frente o mar buliçoso
Sempre de lá a acenar
Lá longe, ao largo, é forçoso
Querer orar, trabalhar.

Bem perto além o deserto
mensagem nova lição
Vive em paz quem é discreto,
Guarda a língua e o coração.

Aprendi nos bancos teus
A lição que vou guardar
A Família, a Pátria e a Deus
Ama com amor sem par.

Quando te deixar um dia
Hei-de guardar em meu peito
Esta eterna melodia
De gratidão e respeito!

5.27.2007

Moçâmedes Namibe: Zona de Vivendas








 

















E dizem que sou Poeta 


E dizem que sou Poeta ! Sou tão triste!...
Só sei dizer tristezas,nada mais!
Por isso as minhas rimas são iguais
Ao que de triste em mim existe!...

E dizem que sou Poeta! Talvez sim;
Eu sinto a dor,garanto,eu sei que a sinto !
E quando falo dela não vos minto;
É ela sempre a querer falar por mim!...

E dizem que sou poeta ! Mas não gosto...
Se escrevo é sempre à sombra dum desgosto
Que se espetou em mim,como uma seta :

Se a rima,por ser fácil,está em mim...
Se é a tristeza a querer falar assim...
Então eu acredito que sou poeta.


Manuela Carmona 
(moçamedense)
 

5.25.2007

Moçâmedes, Namibe : zona de Vivendas e Moradias (bairros novos)




































Elefantíase


Meu embondeiro
a pingar múcuas
por raízes
dispersas em prece

jeitoso
elegante
SINUOSO

Meu embondeiro

de espíritos albergados
na fundura do casco
em espera do viajante

Meu embondeiro
meu embondeiro 

Fragata de Morais
poeta angolano