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5.29.2007

Moçâmedes, Namibe: Avenida da Reública, Rua Praia do Bonfim e Rua Alves de Bastos

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 Mas eu não vim!




Para lá das montanhas
que a neblina esconde
ficou o meu riso
de criança, o meu amor
e a minha esperança…

Para lá das montanhas
fiquei de olhar perdido
a chamar por mim…

  Mas eu não vim!

 (Murilaonde,1990)





MOÇÂMEDES



Amanhece o dia neste bairro...
Pelo lado do deserto a luz doce
lenta se levanta, por baixo do cirro,
espreitando-a, como se lânguida fosse...

Cidade espraiada, assim amanhecida,
aguardando em preguiça os afagos,
ansiando calma de certeza já sabida,
amante vivida, de tão doces fados...

Moça, medes teus modos, lenta,
leve, branda doçura do deserto;
morena, brincas com as paixões!

Moça, medes teus modos? Tenta,
as suaves marés estão já perto;
julgas que resistem os corações?


publicado por zé kahango

Moçâmedes, Namibe: Avenida da República, Rua da Praia do Bonfim e Rua Alves de Bastos






 
Naturalidade

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli